Pe. Joseph: A minha vocação

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O chamado. Inquietações. A resposta.

Através da carta abaixo, Pe. Joseph KOUADIO, um sacerdote do Pime, marfinense, descreve brevemente o seu sinuoso trajeto vocacional. c Vamos a ele.

Bom dia, meu jovem!

Sou Joseph Kouadio, natural da Costa do Marfim e, hoje, padre do Pime no Brasil.

Há um mês fui convidado por uma paróquia para dar uma palestra a um grupo de jovens sobre o tema da missão além-fronteiras.

Quando terminei, dei a possibilidade para os jovens fazerem perguntas. Aí, um rapaz levantou a mão e disse: “Obrigado padre, porque a sua palestra despertou em mim algumas inquietações. Há quase dois anos estou vivendo uma situação que me incomoda muito. Não sei o que eu quero de verdade, nem o que Deus quer de mim. Tenho a sensação de que o Senhor me chama para uma missão específica. Algumas pessoas, entre os quais um padre, me aconselharam a começar um discernimento vocacional e entrar no seminário, se fosse possível. Mas eu não quero, e nem sei o que fazer, porque não sou digno de ser padre. Sou uma pessoa comum. Sou pecador como todo mundo. Então, não posso ser padre.

Ao ouvir aquilo, lembrei-me da frase que um padre me disse quando eu também estava vivendo a mesma situação daquele jovem. E, olhando para ele, citei a frase que eu ouvira do padre: “Deus não chama os já qualificados, mas qualifica aqueles que Ele chama”.  O único santo é Deus.

O rapaz ouviu aquilo e me respondeu: “O senhor me deu uma dica interessante. Vou pedir ajuda ao meu pároco para que me oriente.”

Em busca de um sentido

Conto esta experiência porque é parecida com a minha história vocacional. Eu também tive muitas inquietações, antes de descobrir que era Deus quem me chamava.

De fato, a minha vocação surgiu, antes de tudo, na busca do sentido da minha vida. Já aos 17 anos de idade, muitas perguntas ressoavam na minha mente e no meu coração: quem sou eu? O que preciso fazer para ser feliz?

Procurei as respostas dessas perguntas nos livros. Mas, quanto mais lia, mais surgiam outras perguntas. Começaram também a surgir perguntas religiosas: quem é este Deus cuidadoso que vem ao meu encontro quando preciso? Logo senti o desejo de aprofundar a minha fé cristã.

Dúvidas e mais dúvidas

Foi assim que me engajei na paróquia e comecei a frequentar alguns grupos juvenis. Mas as perguntas continuavam, provocadas também pelas situações de sofrimento e dor que muitos vivem: por que o sofrimento? Deus se esqueceu dos seus filhos? Foi tudo engano o que nos ensinaram no catecismo, quando falaram que Deus é bom e misericordioso? Se Ele é tão bom, por que vê o sofrimento sem fazer nada? Perguntas fortes que, às vezes, afetavam mesmo a minha fé.

Cativado pelo testemunho

Mas não desanimei. Continuei a minha busca sempre através da leitura, mas dessa vez, o livro que decidi ler foi a Bíblia. Foi uma tarefa difícil, mas aprazível. E Deus não demorou a me dar uma resposta. Primeiro, a resposta veio dialogando com alguns missionários do Pime que trabalhavam na minha paróquia. O estilo de vida deles me marcou: sempre felizes e disponíveis em fazer o bem, mesmo no meio de dificuldades e crises. Mas, o que mais me marcou foi perceber que eles, mesmo não sendo marfinenses, se doavam totalmente para que todos fossem felizes! O testemunho desses missionários despertou em min o desejo forte de saber e conhecer mais.

O versículo essencial, questionador

Além do testemunho dos missionários do PIME, um versículo do Evangelho de Marcos me cativou e cutucou bastante: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura […]. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam” (Mc 16, 15-20). Diante desse versículo me perguntei: mas quem é que Jesus envia hoje?

Essas palavras começaram a arder no meu coração. Mas não falei com ninguém do que estava vivendo e pensando, até que, um belo dia, um missionário do Pime me convidou para participar de um encontro vocacional. A minha resposta foi direta e incisiva: “Não! Porque não quero de jeito nenhum ser padre”.

Mas, visto que algum tempo depois ele continuava insistindo, eu admiti: “Está bem, vou participar de um encontro, mas depois, chega!”.

Decidi: “Envia-me!”.

Então fui para ver. Mas gostei tanto que quis participar de todos os encontros.

E foi durante a participação de tais encontros que consegui dar a resposta àquela pergunta que surgiu em mim ao ler o final do Evangelho de Marcos. “Posso ser eu um daqueles que Jesus envia hoje. Por que não?”, eu me perguntava.

Conversei com outro padre do Pime. Ele me ajudou bastante a entender o que estava havendo comigo.

Aos poucos, chegava a refletir isso: “Há muitas pessoas que ainda não conhecem Jesus Cristo e o seu Evangelho; há pessoas que deixaram a própria terra, cultura, família para levar esse Jesus que tanto me cativou com sua Palavra e me providenciou tantas graças na minha vida. Então, eu também quero sair, ir ao encontro dos outros para anunciar a alegria do Evangelho que, segundo o papa Francisco, ‘enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus’. Eu também quero dizer, igual a Isaías: ‘Eis me aqui, envia-me!’”.

Só tenho a agradecer

Foi assim que entrei no seminário, estudei e me tornei padre missionário do Pime. E estou vivendo esta alegria de ser missionário nesse imenso Brasil. Agradeço a Deus por essa maravilhosa vocação.

Estou morando no Centro de Animação Missionária do Pime em Ibiporã, no Paraná, e trabalhando como animador missionário e vocacional.

O que é bom a gente partilha:

Se você também está vivendo essas inquietações ou já sentiu o desejo de começar um discernimento vocacional para servir o Senhor, como sacerdote ou leigo na missão além-fronteiras e “ad gentes” (aos povos), entre em contato comigo, sem hesitar.

Pe. Joseph KOUADIO
Animador Missionário e Vocacional
Rua Luiz Carlos Zani, 2147, Ibiporã – PR
CEP: 86200-000; Tel: (+55) 43 3158-1448
Cel (WatsApp e Viber): (+55) 43 99649-2819

Email: [email protected]
Skype: jokouadio

3 COMENTÁRIOS

  1. Que belo testemunho. Com ele a chama (inquietação) que arde o meu coração aumentou, quero também eu entregar minha vida a Jesus em favor daqueles que ainda não o conhecem. 🎶🎵 leva-me aonde os homens necessitem tua palavra… onde falte a esperança onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti 🎵🎶

  2. Querido Douglas, bom dia. Que alegria saber que você gostou da minha história vocacional. Caso tivesse essa mesma inquietação e gostaria de aprofundar a busca de sentido através de um discernimento vocacional, entre em contato com a gente.
    Deus o abençoe. Paz e alegria!

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